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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
ERA DO RÁDIO III
Na década de 1995 o radio já havia se consolidado como grande veículo de comunicação no Brasil, já produzia grandes estrelas e grandes sucessos.
Nesse site GGN podemos ver um post muito interessante sobre o período, inclusive porque a autora do post fez um trabalho legal pegando as músicas tops em cada década a partir de 1900.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
SAMBA
O samba é um gênero musical, o qual se deriva de
um tipo de dança, de raízes africanas, surgido no Brasil e considerado uma das
principais manifestações culturais populares brasileiras. Dentre suas
características originais, possui uma forma na qual a dança é acompanhada por
pequenas frases melódicas e refrões de criação anônima, alicerces do samba de
roda nascido no Recôncavo Baiano.5

Apesar de ser um gênero musical resultante
das estruturas musicais europeias e africanas, foi com os símbolos da cultura
negra que o samba se alastrou pelo território nacional. Embora houvesse
variadas formas de samba no Brasil (não apenas na Bahia, como também no
Maranhão, em Minas Gerais, em Pernambuco e em São Paulo), sob a forma de
diversos ritmos e danças populares regionais que se originaram do batuque, o
samba como gênero musical é entendido como uma expressão musical urbana do Rio
de Janeiro, então capital do Brasil Imperial, onde chegou durante a segunda
metade do século XIX levado por negros oriundos do sertão baiano.
No Rio de Janeiro, a dança praticada pelos escravos
libertos entrou em contato e incorporou outros gêneros musicais populares entre
os cariocas, como a polca, o maxixe, o lundu e o xote, adquirindo um caráter
totalmente singular nas primeiras décadas do século XX. Um marco dentro da
história moderna e urbana do samba ocorreu em 1917, no próprio Rio de Janeiro,
com a gravação em disco de "Pelo Telefone", considerado o primeiro
samba a ser gravado no Brasil (segundo os registros da Biblioteca Nacional). O
sucesso alcançado pela canção contribuiu para a divulgação e popularização do
samba como gênero musical.
A partir de então, esse estilo de samba urbano
surgido no Rio começou a ser propagado pelo país e, na década de 1930, foi
alçado da condição "local" à símbolo da identidade nacional
brasileira. Inicialmente, foi um samba associado ao carnaval e posteriormente
adquirindo um lugar próprio no mercado musical. Surgiram muitos compositores
como Heitor dos Prazeres, João da Baiana, Pixinguinha e Sinhô, mas os sambas
destes compositores eram amaxixados, conhecidos como sambas-maxixe. Os
contornos modernos desse samba urbano carioca viriam somente no final da década
de 1920, a partir de inovações em duas frentes: com um grupo de compositores
dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio de Sá e Osvaldo Cruz e com
compositores dos morros da cidade como em Mangueira, Salgueiro e São Carlos.
Não por acaso, identifica-se esse formato de samba como "genuíno" ou
"de raiz". A medida que o samba no Rio de Janeiro consolidava-se como
uma expressão musical urbana e moderna, ele passou a ser tocado em larga escala
nas rádios, espalhando-se pelos morros cariocas e bairros da zona sul do Rio de
Janeiro. Inicialmente criminalizado e visto com preconceito, por suas origens
negras, o samba conquistaria o público de classe média também.
O samba moderno urbano surgido a partir do início
do século XX, no Rio de Janeiro, tem ritmo basicamente 2/4 e andamento variado,
com aproveitamento consciente das possibilidades dos estribilhos cantados ao
som de palmas e ritmo batucado, e aos quais seriam acrescentados uma ou mais
partes, ou estâncias, de versos declamatórios. Tradicionalmente, esse samba é
tocado por instrumentos de corda (cavaquinho e vários tipos de violão) e
variados instrumentos de percussão, como o pandeiro, o surdo e o tamborim. Com
o passar dos anos, outros instrumentos foram sendo assimilados, e se criaram
novas vertentes oriundas dessa base urbano carioca de samba, que ganharam
denominações próprias, como o samba de breque, o samba-canção, a bossa nova, o
samba-rock, o pagode, entre outras. Em 2005, o samba de roda se tornou um
Patrimônio da Humanidade da Unesco.
SAIBA MAIS...
sábado, 6 de setembro de 2014
O CHORINHO
CHORINHO
O choro pode ser considerado como a primeira música
urbana tipicamente brasileira e ao longo dos anos se transformou em um dos
gêneros mais prestigiados da música popular nacional, reconhecido em excelência
e requinte. Tem como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana
à base de percussão, com gêneros europeus. A composição instrumental dos
primeiros grupos de choro era baseada na trinca flauta, violão e cavaquinho - a
esse núcleo inicial do choro também se chamava pau e corda, por serem de ébano
as flautas usadas -, mas com o desenvolvimento do gênero, outros instrumentos
de corda e sopro foram incorporados.
O choro, popularmente chamado de chorinho, é um
gênero de música popular e instrumental brasileira, que surgiu no Rio de
Janeiro em meados do século XIX.
![]() |
| Chiquinha Gonzaga |
O choro é visto como o recurso do qual se utilizou
o músico popular para executar, ao seu estilo, a música importada e consumida
nos salões e bailes da alta sociedade do Império a partir da metade do século
XIX. Sob o impulso criador e improvisado dos chorões, logo a música resultante
perdeu as características dos seus países originários e adquiriu feições
genuinamente brasileiras. A improvisação é condição básica do bom chorão, termo
ao qual passou a ser conhecido o músico integrante do choro, bem como requer
uma alta virtuosidade de seus intérpretes, cuja técnica de composição não deve
dispensar o uso de modulações imprevistas e armadas com o propósito de desafiar
a capacidade ou o senso polifônico dos acompanhantes. Além disso, admite uma
grande variedade na composição instrumental de cada conjunto e comporta a
participação de um grande número de participantes, sem prefixar seu número.
Os primeiros conjuntos de choro surgiram por volta
da década de 1870, nascidos nas biroscas do bairro Cidade Nova e nos quintais
dos subúrbios cariocas. O flautista e compositor Joaquim Antônio da Silva
Calado, os pianistas Ernesto Nazaré e Chiquinha Gonzaga, e o maestro Anacleto
de Medeiros compuseram quadrilhas, polcas, tangos, maxixes, xotes e marchas,
estabelecendo os pilares do choro e da música popular carioca da virada do
século XIX para o século XX, que com a difusão de bandas de música e do rádio
foi ganhando todo o território nacional. Herdeiro de toda essa tradição
musical, Pixinguinha consolidou o choro como gênero musical, levando o
virtuosismo na flauta e aperfeiçoando a linguagem do contraponto com seu
saxofone e organizou inúmeros grupos musicais, tornando-se o maior compositor
de choro.
ORIGENS
Tido como a primeira música popular urbana típica
do Brasil, a história está ligada com a chegada, em 1808, da Família Real
portuguesa ao Brasil. Promulgada capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e
Algarves em 1815, o Rio de Janeiro passou, então, por uma reforma urbana e
cultural, quando foram criados cargos públicos. Com a corte portuguesa vieram
instrumentos de origem européia como o piano, clarinete, violão, flauta,
bandolim e cavaquinho, bem como seus instrumentistas.Com esses viajantes,
chegou ao Brasil a música de dança de salão europeia, como a valsa, a
quadrilha, a mazurca, a modinha, a schottish e principalmente a polca, que
viraram moda nos bailes daquela época.
A reforma urbana, os instrumentos e as músicas
estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em
1850, foram condições históricas para o surgimento do choro, já que
possibilitou a emergência de novos ofícios para as camadas populares. Nesse contexto,
tendo como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de
percussão, com gêneros europeus, nasceu o choro no Rio de Janeiro, por volta de
1870.1 Esses grupos de instrumentistas populares, a quem se daria mais tarde o
nome de chorões, eram oriundos de segmentos da classe média baixa da sociedade
carioca, sendo em sua grande maioria modestos funcionários de repartições
públicas - como da Alfândega, dos Correios e Telégrafos e da Estrada de Ferro
Central do Brasil - cujo trabalho lhes permitiam uma boemia regular, e
geralmente moradores da Cidade Nova.8 Sem muito compromisso e sem precisar
tocar por dinheiro, essas pessoas passaram a formar conjuntos para tocar de
"ouvido" essas músicas, que juntamente com alguns ritmos africanos já
enraizados na cultura brasileira, como o batuque e o lundu, passaram a ser
tocadas de maneira abrasileirada pelos músicos que foram então batizados de
chorões. Inicialmente, eles se reuniam aos domingos nos chamados pagodes no
fundo dos quintais dos subúrbios cariocas ou nas residências da Cidade Nova.2
Com isso, se tornaram os principais canais de divulgação do estilo para o povo.
Um dos preceitos desses pagodes ou tocatas domingueiras era uma mesa farta em
alimentos e bebidas.
As formações pioneiras adotavam como terno de instrumentos
a flauta, o violão e o cavaquinho. A flauta como "solista", o violão
na "baixaria" e o cavaquinho como "centro". Aos poucos, os
chorões passaram a se apresentar constantemente em saraus da elite imperial,
executando os gêneros europeus mais em voga imprimindo uma genuína cultura
afro-carioca, sempre com improvisações e desafios entre os instrumentistas
solistas e de acompanhamento, que foram consolidando o estilo.
As mais antigas referências a esses grupos de
músicos mencionam o flautista Calado como o iniciador e organizador desses
primeiros conjuntos. Como era professor da cadeira de flauta do Conservatório
Imperial, Calado teve grande conhecimento musical e reuniu em torno de si os
melhores músicos da época, que tocavam por simples prazer e descompromisso de
fazer música. O conjunto instrumental "O Choro de Calado" costumava
se reunir sem ideia prévia quanto a composição instrumental ou quanto ao número
de figurantes de cada grupo.2 Foi também ele o pioneiro em grafar a palavra
choro no local destinado ao gênero em uma de suas partituras - a da polca
"Flor Amorosa" -, até então, os compositores se limitavam a indicar,
como gênero, os ritmos tradicionais. A polca "Flor Amorosa", composta
por Calado em 1867nota 1 é considerada a primeira composição do gênero. Desse
conjunto fez parte Viriato Figueira, seu aluno e amigo e também sua amiga, a
maestrina Chiquinha Gonzaga, uma pioneira como a primeira chorona, compositora
e pianista do gênero.
Em 1877, Chiquinha Gonzaga compôs
"Atraente", e em 1897, "Gaúcho" ou "Corta-Jaca",
grandes contribuições ao repertório do gênero, entre outras composições, como
"Lua Branca". O choro era considerado apenas uma maneira mais
sincopada (pela influência do lundu e do batuque) de se interpretar aquelas
músicas, portanto recebeu fortes influências, porém aos poucos a música gerada
sob o improviso dos chorões foi perdendo as características dos seus países de
origem e os conjuntos de choro proliferaram na cidade, estendendo-se ao Brasil.
ENTRE LUNDUS E MODINHAS
Antes da gravação e venda de discos e fitas (e de
extensas discografias disponibilizadas no Pirate Bay), a cultura do "ao
vivo" reinou despreocupada e sozinha. Foi em volta de pianos e de
clarinetes, por assobios espontâneos e pelos sons de bandinhas que tocavam nos
centros urbanos recém formados que se construía e se divulgava os primórdios da
Música Popular Brasileira. Sem a total consciência dos envolvidos, o começo
ocorreu lá pelo século XVIII, mais de duzentos anos depois da invasão
portuguesa. A demora é justificada pela intensa segregação social, e ambiente
que permitia uma cultura musical basicamente folclórica, construída na tradição
oral e passada de geração para geração.
Ainda sem a formação da modinha e do lundu,
ouvia-se os instrumentos de sopro de rituais indígenas, a dança e a percussão
africana e o canto dos colonizadores europeus, mas a falta de mistura e de
vazamento para outros nichos impediam que qualquer um dos estilos fosse a
música brasileira, a música do país (pois como ser música popular sem o
sentimento de povo?). O som religioso nas vozes afinadas das missas católicas e
as organizadas fanfarras militares também ecoavam nas ruas, mas representavam
direta e quase somente a cultura da elite colonizadora.
Salvador e o Rio de Janeiro foram as primeiras
cidades coloniais que conseguiram em sua vida urbana fundir e misturar. Sem
surpresa, os primeiros indícios da modinha surgiram por lá: um gênero
luso-brasileiro simples, estrófico, e acompanhado de viola, com letras
românticas e tocadas por homens que falavam de amor e se dirigiam às mulheres
com malícia e permissividade transgressora. Em Portugal o gênero já existia, e
eram as letras e a síncope nas melodias – creditada à influência africana na
cultura brasileira – que distanciavam a modinha metropolitana da feita na
colônia.
Como se a história fosse propositalmente feita em
tom romântico, é um mulato carioca chamado Domingos Caldas Barbosa quem, em 1775,
leva a moda brasileira às terras lusas, subvertendo um gênero lá já enraizado
com liberdade própria, sem reproduzir as normas morais da elite portuguesa.
Manuscritos históricos do escritor português Ribeiro dos Santos descrevem estas
cantigas como “descompostas”, capazes de transportar o ouvinte para bordéis.
Ele ainda afirmou que não havia ninguém mais prejudicial que Caldas Barbosa
(“trovador de Vênus e de Cupido”) para a educação particular e pública da
sociedade.
O som-primeiro da MPB também teve como traço
marcante seu trato do amor sensual, que gerou reações de desgosto análogas às
que (ainda!) acontecem hoje: o sexo na música dita brega, por exemplo, é
tratado com um pudor e desconfiança que não são utilizados para a análise de
produtos culturais classificados como oriundos da erudição (baseado no forró
eletrônico, o jornalista Felipe Trotta dissertou sobre o tema em “A Reinvenção
Musical do Nordeste”, publicado no livro Operação Forrock).
Apesar de seu caráter notoriamente popular, as inevitáveis
mudanças no gênero ocorreram e as cantigas chegaram a se tornar música de salão
(voltando à condição inicial apenas com a chegada das serenatas feitas pelos
violeiros nas ruas do século XIX), foram confundidas com óperas italianas
(cantadas por cantores líricos em teatros e tudo mais) e chegaram (como não?),
aos herdeiros da classe média urbana, escritores e bon vivants que se dedicavam
às tardes de boemia e poesia (desse grupo faziam parte Machado de Assis, José
de Alencar e Gonçalves Dias).
Estes últimos são considerados responsáveis pelo
afastamento das tentativas de “eruditização” da modinha, já que estavam ligados
a instrumentistas populares, ao mesmo tempo em que influenciaram o requinte dos
letristas, dando às composições ares de poesia romântica. O pesquisador em
história musical José Tinhorão afirma em seu livro Pequena História da Música
Popular Brasileira que a influência desse preciosismo “mais tarde seria
responsável pela tradição de pernosticismo de várias gerações de letristas semianalfabetos
da música popular brasileira”.
A denominação “modinha” tem explicações variadas. O
termo “moda” era usado para quaisquer canções que surgiam nos centros urbanos,
o diminutivo foi designado para se referir às cantigas da camada mais pobre da
população, assim como aos sons trazidos pela colônia. Mário de Andrade, mais
otimista, afirmou certa vez que “chamaram-lhes modinhas por serem delicadas”
(delas gostava tanto que em outra frase as define como “um suspiro de amor”). A
partir dos anos 50 a palavra modinha passa a ser usada para designar canções
sentimentalistas, que possuem algo de nostálgico, antiquado e bonito (“Modinha”
de Jobim e Vinícus, por exemplo, gravada em 1958). O significo sentimentalista
perdura na palavra até hoje.
E com a modinha veio o lundu e a primeira música em
disco
Domingos Caldas Barbosa tem seu nome
documentalmente ligado ao aparecimento da modinha em Portugal e é um dos
tocadores mais citados do gênero. Em seus poemas o termo “lundum” é citado com
frequência, já mostrando o flerte e a grande ligação que os tocadores da época
tinham com este outro gênero contemporâneo da modinha. É difícil dizer seu
início ao certo, pois não faltam grafias da palavra (landu, landum, londum) e
explicações históricas e semânticas sobre cada uma delas.
O que se sabe é que antes de ser gênero musical, o
lundu era dança (calundu) praticada majoritariamente por negros e mestiços,
acompanhada pela percussão dos escravos e com nuances da coreografia
semelhantes ao bolero e ao fandango. Apesar disso, de origem brasileira, o
lundu-canção chega depois e a princípio soa como uma modinha com algumas
características particulares. Seu caráter cômico marcou como um dos traços mais
notáveis, fazendo um contraponto com o sofrimento amoroso das modinhas e assim
se distanciando.
Para Mário de Andrade, o lundu foi o primeiro a
conseguir vencer a impermeabilidade das classes no Brasil, já que foi o
primeiro gênero negro considerado música nacional. Foi o lundu também a
primeira amostra de MPB a ser gravado no Brasil nos recém-chegados discos de 78
rotações. Em 1902, “Isto é Bom” de composição de Xisto Bahia, cantada e lançada
por Bahiano, é a primeira música a ser gravada no país. No canto um sotaque
perdido e em suas palavras uma pequena amostra do humor dos primeiros anos do
século XX:
Já já você
quer morrer / se morrer, morramos juntos /
Eu quero ver
como cabe / numa cova dois defuntos,
(...)
Os padres
gostam de moças / e os doutores também
Eu como rapaz
solteiro / gosto mais do que ninguém.
Texto de: Laís Araújo
FONTE:http://www.revistacontinente.com.br/
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